Em tempos longínquos, o homem percebeu que o piche poderia ser uma rendosa atividade. No inicio, usou o material para conter vazamentos nos reservatórios de água e na impermeabilização dos barcos. Em seguida, na pavimentação de estradas. Por fim, introduziu o produto no calçamento das ruas das cidades.
Nos municípios onde são raros os investimentos em educação, saúde, meio ambiente e geração de empregos, não é difícil encontrarmos longas matérias na imprensa falando de pavimentação de ruas, recapeamento asfáltico e operações tapa-buracos. Por trás dessas melhorias, muitas vezes acontece desvio de dinheiro público.
Como a maioria das prefeituras não têm equipamentos para realizar as obras, elas contratam empresas privadas para executar os serviços. Acontece que algumas (não todas) empreiteiras que fazem esse tipo de obra, com o passar do tempo se especializaram em corromper agentes políticos nas licitações das prefeituras.
No passado as fraudes ocorriam através do superfaturamento das obras e quando descobertas encerrava a carreira de agentes políticos (vários casos ainda podem ser vistos nos sites da justiça e do TCE). Preocupadas com isso, as quadrilhas transvestidas de empreiteiras começaram a aprimorar o seu modus operandi.
Logo, além das licitações viciadas (que ainda persistem em alguns municípios), surgiram os aditivos contratuais maliciosos e o asfalto fatia de queijo. Nesta última modalidade, as empreiteiras engrossam o pavimento perto das guias e o afinam no eixo das ruas, dando uma falsa impressão de que o serviço é de boa qualidade.
Quando isso acontece, como não existem técnicos especializados em pavimentação asfáltica nos órgãos fiscalizadores, inclusive nos poderes legislativos, demora certo tempo para a fraude ser detectada. Isso facilita a vida das empreiteiras e dos agentes políticos corruptos.
Antes de encerrar, gostaria de dizer que a evolução nesta área da construção civil foi muito grande nos últimos anos. Assim, as pavimentações asfálticas deveriam ter maior durabilidade, e não o contrário. Por hoje é isso, caro leitor!