OSVALDO CRUZ: Audiência Pública na Câmara debate retorno da zona azul no centro
O debate ocorre após a Prefeitura cancelar o contrato com a empresa responsável pelo serviço. Desde então, o estacionamento rotativo está suspenso e, segundo comerciantes e representantes do setor, aumentaram as dificuldades para encontrar vagas nas áreas de maior movimento comercial.
Um dos problemas apontados durante a audiência é a permanência de veículos de comerciantes, empresários e funcionários ocupando por longos períodos vagas que poderiam ser utilizadas pelos consumidores.
A discussão reuniu representantes do Legislativo, Prefeitura, comércio e especialistas em trânsito.
Maioria dos participantes defende retorno da Zona Azul
O secretário municipal de Desenvolvimento, Renê Gomes, afirmou que a audiência permitiu discutir diferentes formatos que já foram adotados para organizar o estacionamento na cidade.
Segundo ele, a Prefeitura agora deverá estudar alternativas que possam resultar em uma nova organização das vagas, inclusive por meio de eventual alteração legislativa ou de mecanismos administrativos.
A preocupação, de acordo com o secretário, é encontrar um modelo que aumente a disponibilidade de vagas sem representar um custo elevado para os consumidores.
Renê também afirmou que a maioria das pessoas presentes na audiência foi favorável ao retorno da Zona Azul. No entanto, ressaltou que a Prefeitura ainda pretende ouvir uma parcela mais ampla da população, incluindo consumidores, para avaliar a preferência da comunidade.
Comércio reclama da falta de vagas
O empresário, Edivaldo Marconato, afirmou que o estacionamento é um fator importante para o consumidor que pretende fazer compras no centro.
Segundo ele, uma pesquisa preliminar realizada pela entidade aponta que a maioria dos associados localizados principalmente na Avenida Brasil é favorável ao estacionamento controlado.
Marconato destacou que a falta de vagas seria mais perceptível em períodos de maior movimentação, como sextas-feiras, sábados e datas próximas ao pagamento de salários e vales.
Na avaliação do empresário, a dificuldade para estacionar pode fazer com que consumidores desistam de ir ao comércio central.
Ele também relacionou o problema à concorrência das compras pela internet, argumentando que o comércio físico precisa oferecer condições para que o consumidor tenha facilidade e conforto para realizar suas compras.
Ao mesmo tempo, defendeu que eventual retorno da Zona Azul seja estruturado com valor acessível, para que o sistema não represente um peso excessivo para o consumidor.
Pesquisa aponta apoio entre comerciantes e usuários
O especialista em trânsito Alessandro Romano, que já ocupou o cargo de diretor de Trânsito de Osvaldo Cruz e possui formação na área, apresentou dados de uma pesquisa realizada nas últimas semanas.
Segundo ele, o levantamento buscou avaliar a aceitação da Zona Azul entre comerciantes e potenciais usuários do sistema.
O resultado apresentado durante a audiência apontou que 70% dos comerciantes entrevistados são favoráveis à Zona Azul.
Entre os usuários ouvidos, o índice de aprovação ficou acima de 60%.
Os números foram utilizados durante o debate como um indicativo de que existe apoio à retomada do estacionamento rotativo no centro.
Funcionários também ocupam vagas durante todo o dia
Outro ponto levantado durante a audiência foi a utilização prolongada das vagas por pessoas que trabalham no próprio centro comercial.
O gerente da Associação Comercial, João Lino, afirmou que a entidade defende a volta do estacionamento controlado justamente pela dificuldade enfrentada pelos consumidores, principalmente aos sábados e em dias de maior movimento.
Segundo ele, funcionários e comerciantes também acabam deixando seus veículos estacionados durante longos períodos, inclusive ocupando vagas localizadas em frente a estabelecimentos diferentes daqueles onde trabalham.
Na avaliação da Associação Comercial, essa situação reduz a rotatividade e dificulta o acesso dos consumidores às lojas.
João Lino citou especialmente períodos como o quinto dia útil e o dia 20, quando há pagamento de salários ou vales e o movimento comercial aumenta.
Próximos passos
Apesar da manifestação favorável de comerciantes e dos resultados apresentados na pesquisa, a audiência não definiu o modelo que será adotado para o estacionamento no centro de Osvaldo Cruz.
A Prefeitura deverá avaliar as alternativas discutidas e também buscar informações junto aos consumidores antes de definir os próximos passos.
Uma das preocupações apresentadas pelo secretário Renê Gomes é encontrar uma solução que permita organizar melhor as vagas sem criar um custo que afaste consumidores do comércio.
O debate também deverá considerar como evitar que comerciantes, empresários e funcionários mantenham veículos estacionados durante longos períodos nas áreas de maior circulação.
A discussão sobre a Zona Azul, portanto, deverá continuar nos próximos dias, com a possibilidade de análise de mudanças administrativas ou legislativas para estabelecer um novo modelo de estacionamento controlado na região central.
Por OCNET