Nesta terça, Carvalho, que substituiu Covas na coordenação contra o coronavírus em SP, disse que o comitê de saúde está preparado para adotar medidas mais duras caso os dados do estado piorem.
“Cabe a nós manter um olhar com bastante cuidado. Percebendo uma volta de alguns casos, além do que seria esperado, de tomarmos as medidas necessárias, inclusive, eventualmente, voltar a uma restrição maior em relação à liberação que estava sendo encaminhada”, disse.
João Gabbardo, coordenador-executivo do comitê, disse que os números desta terça refletem um espalhamento do vírus em direção ao interior do estado.
“Essa questão do aumento em um determinado dia não é motivo pra que a gente fique imaginando que o que nós estávamos planejando ou que a evolução que nós estávamos esperando não esteja acontecendo. Tem que analisar que há um espraiamento do vírus para municípios que ainda não tinham apresentado casos, ou tinham um número pequeno de casos, e isso é um fenômeno esperado”, disse Gabbardo.
Ele afirma ainda que os dados não são reflexo de medidas de relaxamento da quarentena porque “o número de óbitos é alterado por alguma coisa que aconteceu há 20 dias, há 30 dias atrás”, e não há uma semana.
“À medida que novos municípios aumentam o número de casos, e isso está acontecendo no interior do estado, há uma tendência nesta elevação no total. O número de óbitos não reflete alguma mudança de atitude que tenha acontecido na semana passada”, completou Gabbardo.
Testagem da população
A equipe do Comitê de Contingência atribuiu parte do aumento no número de casos confirmados no estado à ampliação da testagem na população.
Conforme anunciado na semana passada, os testes sorológicos (testes rápidos) passaram a ser utilizados pelo governo de São Paulo na notificação de confirmação de casos, o que não é recomendado pela OMS. Antes, só os testes de RT-PCR, que são mais precisos, eram considerados na contagem oficial da secretaria.
De acordo com Paulo Menezes, o estado ampliou para 602.384 o total de testes já realizados para detectar o novo coronavírus. Mas esse valor inclui tanto testes sorológicos como PCR, e rede pública e particular. Portanto não é possível mensurar a ampliação, já que antes só eram divulgados dados da rede pública e de RT-PCR.
“Hoje a situação é de ter testado mais de meio milhão [525.666] de pessoas com suspeita de Covid-19 com sintomas leves, chamadas síndromes gripais. 76.718 pessoas com casos suspeitos de Covid-19 internadas, casos mais graves, totalizando mais de 600 mil testes [602.384] realizados entre PCR e teste rápido, o que realmente mostra um volume bastante maior do que vinha sendo divulgado até então”, disse Menezes.
Em maio, o governo também anunciou que ampliaria a testagem de RT-PCR para caso leves, já que até então os testes só eram feitos em pacientes graves. Os municípios, no entanto, enfrentaram dificuldade para cumprir a determinação, já que havia falta de kits de amostras para coleta de material. Nesta terça, o governo voltou a prometer que os materiais serão distribuídos.
“Nós estamos distribuindo, essa semana e a semana que vem, 250 mil kits de ‘swab’ com tubo, aqueles cotonetes para fazer coleta de amostra de PCR, pra que todos os municípios do estado de são Paulo aumentem o volume de pacientes com sintomas mais leves testados com o RT-PCR”, disse Menezes.
Três meses da primeira morte
A primeira morte por Covid-19 no Brasil completou três meses nesta terça (16). A primeira vítima foi um homem de 62 anos que estava internado no Hospital Sancta Maggiore, da Rede Prevent Sênior, no Paraíso, Zona Sul da capital paulista.
Ele morava na cidade de São Paulo e tinha histórico de diabetes e hipertensão, além de hiperplasia prostática — um aumento benigno da próstata que não é uma doença, mas uma condição comum em homens mais velhos e que pode causar infecções urinárias.
Dias depois da morte do filho, a mãe estava isolada em casa com sintomas da doença e disse que estava preocupada com o marido e os outros dois filhos, também idosos, que estavam internados.
Procurado pelo G1 nesta segunda-feira (15), o sobrinho da senhora não respondeu às mensagens. Há um mês, preferiu não gravar entrevista: “Minha família e eu precisamos de paz e sossego nesse momento. 🙏”, disse. O advogado da família também não respondeu aos questionamentos do G1.