Diante desse quadro, Mansueto não vê chance de o governo apresentar superavit primário até 2027, ou até o fim do próximo governo. Foi a última entrevista do secretário no cargo, que deixará nesta quarta-feira, quando será substituído por Bruno Funchal, atualmente diretor de programas do Ministério.
Pelas contas do economista, o impacto de mais duas parcelas de R$ 600 do auxílio emergencial, ou de três parcelas de R$ 500, R$ 400 e R$ 300, respectivamente, deve chegar a R$ 100 bilhões. Por isso, ele enfatizou que não há espaço para novas despesas obrigatórias. Como a rubrica já está em 116% da Receita Corrente Líquida (RCL), qualquer programa de renda básica permanente, como vem sendo cogitada por parlamentares exigirá aumento de tributos.
Com a piora do quadro fiscal, as projeções do mercado apontam a dívida bruta do governo encostando em 100% do PIB no fim do ano. Apesar disso, Mansueto descartou problemas para a rolagem da dívida. Ele admitiu, no entanto, que os novos títulos estão sendo emitidos com prazos cada vez menores, “não chegando a seis meses” — o que cria dificuldades para administração do endividamento público.
Teto de gastos
Diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, Felipe Salto é mais pessimista e prevê que as contas públicas, no vermelho desde 2014, não devem registrar superavit até 2030.
Na avaliação de Salto, o quadro fiscal dramático elevou fortemente risco de descumprimento, em 2021, do teto de gastos, um dos pilares com que o governo contava para controlar as contas Fábio Klein, da Tendências Consultoria, tem a mesma opinião. Klein. “O cenário pessimista está se mostrando mais provável e, com parlamentares defendendo a flexibilização do teto de gastos, só aumenta a preocupação do mercado sobre a solvência do governo”, alertou. Para ele, a saída de Mansueto é preocupante, “Ele é o maior defensor da consolidação fiscal pelo corte de despesas. Isso mostra que será muito difícil defender o ajuste daqui para frente”, lamentou.