Em setembro, escavações às margens da Rodovia Rachid Rayes (SP-333), em Marília, deram de cara com um conjunto de fósseis escondidos em um talude. Entre os vestígios, foram encontrados outro fêmur e alguns fragmentos de costelas.
Pouco menos de dois meses depois, um terceiro fêmur de Titanossauro foi encontrado na mesma rodovia. Nava acredita que o fóssil seja diferente do encontrado no local em setembro daquele ano.
“Nós pedimos para que o pessoal do maquinário nos avisasse caso encontrasse algo durante as obras. Em um dos barrancos, conseguimos identificar ossos de ao menos três Titanossauros diferentes”, diz.
Solo privilegiado
Um dos fatores que colaboram para que as descobertas aconteçam por aqui é o relevo colinoso da região de Marília. A área possui uma topografia bem acidentada, cheia de colinas – não à toa, é conhecida como Planalto de Marília.
“Por causa das serras, quando as rochas são cortadas nas obras feitas pelo homem, os sedimentos ficam expostos. Isso facilita a localização de fósseis”, explica Nava.
Além de favorecer a descoberta dos ossos, a região ainda ajuda na preservação deles. Isso porque o solo local é rico em carbonato de cálcio, uma substância muito presente nas águas de antigos rios e lagos, na longínqua era dos dinossauros.
“Pelo estudo geológico, sabe-se que a região em que Marília está localizada possuía um clima muito quente e seco. Havia muito mais evaporação do que acúmulo de água. Em pequenos rios e lagos, a água evaporava rapidamente e o carbonato de cálcio se concentrava no fundo. Se ali houvesse dinossauros mortos, os ossos eram envoltos por uma película protetora formada pela substância”, diz.